Fundações Sólidas

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“Tudo o que hoje preciso realmente saber sobre como viver, o que fazer e como ser, eu aprendi no jardim de infância. A sabedoria não se encontrava no topo de um curso de pós-graduação, mas no montinho de areia da escola de todo dia.

Foi exatamente isto que aprendi: compartilhar tudo, brincar dentro das regras, não bater nos outros, colocar as coisas de volta no lugar onde as encontrei, limpar a própria sujeira, não pegar o que não era meu, pedir desculpas quando machucava alguém, lavar as mãos antes de comer e agradecer.

Também descobri que café com leite é gostoso, que uma vida equilibrada é saudável e que pensar um pouco, aprender um pouco, desenhar, pintar, dançar, planejar e trabalhar um pouco todos os dias, nos faz muito bem. Tirar uma soneca todas as tardes, tomar muito cuidado com o trânsito, segurar as mãos de alguém e ficar juntos, são boas formas de enfrentar o mundo. Prestar atenção em todas as maravilhas e lembrar da pequena semente que, um dia, plantamos em um copo de plástico. As raízes iam para baixo e as folhas iam para cima, mas ninguém realmente sabia nem porquê.

Peixinhos dourados, hamsters e ratinhos brancos; e até mesmo a pequena semente do copo de plástico, tudo morre um dia.

E nós também.”

Robert Fulghum, in obra: Tudo o que Realmente Preciso Saber Aprendi no Jardim de Infància

 

Como tempo é Precioso

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“Quando eu era novo, os meus dias eram cheios e fáceis, como os rebuçados que possuía em abundância e gastava sem cuidados. Agora tenho menos, e o seu valor aumentou infinitamente. Cada dia, cada preciosa madrugada, vale o seu peso em ouro. E vejo-me subitamente a fazer economias desusadas saboreando as horas como os amantes saboreiam os momentos em que se encontram. Mesmo assim, quando a semana acaba, sinto que gastei mais uma fortuna. Uma dia não dura o que durava antes…”

(Dewey Gill)

Um trecho

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“Eu não sabia que a liberdade não é uma recompensa, nem uma condecoração que se comemora com champanhe. Tampouco, aliás, um presente, uma caixa de chocolates de dar água na boca. Oh, não, é um encargo, é uma corrida de fundo, bem solitária, bem extenuante. Nada de champanhe, nada de amigos que ergam sua taça, olhando-nos com ternura. Sozinhos numa sala sombria, sozinhos no banco dos réus, perante os juízes, e sozinhos para decidir perante nós mesmos ou perante o julgamento dos outros. No final de toda liberdade, há uma sentença; eis por que a liberdade é pesada demais, sobretudo quando se sofre de febre, ou nos sentimos mal, ou não amamos ninguém. Ah! Meu caro, para quem está só, sem Deus e sem senhor, o peso dos dias é terrível (…)”

Albert Camus, in A Queda

Cinco lições de Murakami para a vida

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1. A solidão é a melhor via para o conhecimento. Em mais de um romance de Murakami, o protagonista empreende uma viagem solitária para escapar da confusão vital. No caso do jovem fugitivo de Kafka à Beira-Mar, isso lhe permitirá acessar aspectos desconhecidos de si mesmo. Quando nos vemos confrontados com a solidão depois de uma separação ou morte, ou quando a buscamos através de uma viagem iniciática, afloram partes de nós que antes estavam soterradas. Sem a proteção e o ruído dos outros, o encontro com nós mesmos é inevitável, com o que damos um salto adiante em nossa própria evolução.

2. O mundo é imprevisível. A segunda lição de vida que extraímos de seus romances é que a vida sempre nos surpreende. Portanto, é absurdo tratar de controlá-la ou nos angustiar com possíveis ameaças. No último romance de Murakami, o extenso O Assassinato do Comendador, um pintor de vida estável e acomodada recebe a notícia de que sua mulher quer se separar porque teve um sonho que a empurra a tomar essa decisão. Quando o pintor lhe pergunta do que tratava esse sonho, lhe diz que é algo muito pessoal. Se só podemos esperar o inesperado, é inútil fazer previsões. E isso pode ser um grande calmante para a mente. Quanto aos porquês que podem surgir para nos torturar, isso nos leva à seguinte lição…

3. Não procure um sentido. Os argumentos de Murakami se desenvolvem em um mundo de caos e aleatoriedade. Muitas vezes nem sequer é possível culpar ninguém pelo sofrimento, o que é uma boa notícia. Como dizia Viktor Frankl, o ser humano vai em busca de sentido, mas grande parte das coisas que nos acontecem não o tem. Como nos romances do autor japonês, muitas vezes sentiremos que nossa vida é um sonho onde as coisas acontecem sem razão aparente. Podemos confrontar este fato com duas atitudes opostas: lamentar como o mundo é injusto e absurdo, ou surfar as ondas que a existência nos traz. Disso decorre a quarta lição…

4. Se sobreviver ao caos, você já ganhou. Dado que confrontamos sozinhos muitos trechos de nossa existência e se sabemos também que tudo é imprevisível e que não há razão para que coisas tenham sentido, então talvez a arte de viver seja sair o melhor possível da experiência. Viemos ao mundo para vivenciar coisas, para tropeçar e para resolver problemas, como fazem os personagens de Murakami. O prêmio é seguir em frente no jogo.

5. O orgulho e o medo nos tiram o melhor da vida.Em seu ensaio Romancista como vocação, Murakami menciona uma história tão mágica quanto triste. Aparentemente, em uma noite de 1922 James Joyce e Marcel Proust estiveram num mesmo restaurante de Paris, onde jantaram em mesas próximas. Os comensais que os reconheceram estavam emocionados, esperando que aqueles gigantes da literatura começassem a debater. Nada aconteceu. Nas palavras do japonês: “A noite chegou ao fim sem que nenhum dos dois se dignasse dirigir a palavra ao outro. Imagino que foi o orgulho o que frustrou uma simples conversa, e isso é algo muito frequente”. Quantas vezes perdemos uma oportunidade, pessoal ou profissional, por não ter dado o passo? Trata-se de orgulho, como interpreta Murakami, ou do medo de sermos rejeitados. Ao nos conter talvez deixemos a mais bela página de nossa história por escrever.

Por Francesc Miralles, escritor e jornalista especializado em psicologia.

fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/06/26/eps/1561540814_571709.html

Frases do escritor Lobo Antunes

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“Não sou uma pessoa muito alegre. Sou introvertido. Fechado. Cheio de dúvidas. Não me é fácil viver comigo. Parece que sempre estou em guerra civil.”

“Gosto da parte masculina das mulheres, mas não gosto da parte feminina dos homens. Gosto dos homens que são tão homens que não têm medo de serem mulheres.”

“Escrever bem não é escrever uma página, é escrever 300 para ficar uma boa. Isto não é um milagre e dá muito trabalho. A excelência vem do trabalho.”

António Lobo Antunes, entrevista à revista Somos Livros, Bertrand Livreiros


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