Vive o dia de hoje…

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Lendo novamente (e por muitas vezes) Vergílio Ferreira, professor e escritor português. Escreveu tanto que parece ter abordado todos os temas. E como são interessantes as suas prospecções mentais…

(Adriana Araf)

Não penses para amanhã. Não lembres o que foi ontem. A memória teve o seu tempo quando foi tempo daquela coisa durar. Mas tudo hoje é tão efémero. Mesmo o que se pensa para amanhã é para já ter sido, que é o que desejamos que seja logo que for. É o tempo de Deus que não tem futuro nem passado. Foi o que dele nós escolhemos no sonho do nosso absoluto. Não penses para amanhã e sim na urgência de seres agora. Mesmo logo à tarde é muito tarde. Tudo o que és em ti para seres, vê se o és neste instante. Porque antes e depois tudo é morte e insensatez. Não esperes, sê agora.”

Janeiro é Gênesis

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“Há um quê que nos remete de volta à esperança a cada ano que começa. Opera-se um verdadeiro alívio (para não dizer milagre) quando dias tão próximos e distantes – 31 e 01 – passam a coexistir temporariamente como aquilo que foi e o que virá. Um 31 que pertence a uma era e o outro 01 que é pura quimera. Para Dezembro que partiu, é o que tivemos.

Para Janeiro, na larga escala de 31 novos dias, um misto de curiosidades e expectativas. Temores pelo futuro regados pela confiança de um presente hodierno. Cremos em tantos acontecimentos e em tantas mudanças que Janeiro fica curto. Para Fevereiro já não há essa imbuição por novidades.

Janeiro é Gênesis.”

(Adriana Araf)

2017: seja bem-vindo

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“E eis que vai embora 2016: cheio de ocorrências intermináveis, fogo & fogo, perdas, transparências forçadas, fome de dignidade espalhada por todos os cantos, que nos gerou indagações sucessivas sobre o presente e um olhar lacunoso sobre a falta de futuro.

Já te sentimos aqui 2017, num verão iluminado por um sol quente, em nuvens azuis que nos servem de teto,  pelos vestidos coloridos das mulheres. Janelas abertas, vamos compor uma nova paisagem, imbuídos pela capacidade de metamorfosearmos nossos anseios e desejos. Riscar do papel o que não deu e colocar vida nas novas promessas.”

(Adriana Araf)

Pai Nosso de Ano Novo

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Pai Nosso, soberano, incansável e amoroso, que estás no céu

Santificado seja seu santo nome sobre a terra que nos abriga

Venha a nós o vosso reino iluminado para que tenhamos um ano revigorante, salutar, cordial, movido pelas melhores e pelas mais bonitas emoções

Seja feita a sua vontade de nos assegurar o melhor, como todo bom pai e toda divina mãe deseja

Assim, nesse lugar esplendoroso criado pelas suas sábias mãos; e acima de nós, o céu, local para onde olhamos em busca de esperança e renovação

Que o pão seja nosso, pois não há nenhuma dignidade na fome

Que o pão seja simbolizado por trabalho e força para produzir e inovar

Que perdoemos a nós e aos outros e saiamos do ano que finda com vontade de novo respiros

E não nos deixe momento algum, em tempo nenhum, pois embora a própria vida o invoque, que a fé que sintamos seja o suficiente para extinguir dúvidas e dores para colocar no lugar confiança e amores.

Amém para 2016.

(Adriana Araf)

 

Poema de Natal

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Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Vinicius de Moraes, in ‘Antologia Poética’


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