Hoje, Dia da Água

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“Sou água cristalina que da terra brota
Minhas nascentes são preciosidades
Neste planeta que ainda é raridade
Pois outra vida não foi encontrada
Formando uma correnteza a fluir
Saciando a sede da humanidade
Saciando a sede das plantações
Saciando a sede de todas as nações
Saciando a sede da natureza em geral
Sem mim não haverá vida não
Cuidem das nascentes como jóias raras
Dela todos são dependentes

Temos apenas um quarto de terra
Neste planeta azulado pela água
A maior parte não se pode beber
E hoje já se fala na extinção dela
Esta fonte de vida para todos
Sem falar dos que morrem
Em muitos países pela falta dela
Aqui mesmo no Brasil temos
Lugares onde a água é escassa
Se o meu grito assim como de muitos
Fossem ecoados pela terra toda
Teriam mais consciência e cuidado
Com a água que é inutilizada
Principalmente pelas indústrias

Sou água cristalina que brilho como diamante
Quanto caio da cachoeira sob o sol radiante

Ouvimos o som dos seus ecos de socorro
Tentamos tapar os ouvidos, mas não há como
Temos que gritar em conjunto fazendo eco no mundo

Sou água cristalina
Por favor, me socorra
Não me deixe secar nem evaporar
Não tapem minhas nascentes estou morrendo
Quero ficar aqui e saciar a sede de todos
Sou água cristalina que faço a diferença neste planeta.”

(Ângela Lugo, poeta lusitana)

Postagens Vívidas

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“Muitas e muitas vezes somos o carteiro que entrega notícias nesse vaivém desuniforme da vida. De vestimenta amarela e azul imaginário, entramos na casa (leia-se na vida) das pessoas portando envelopes verbais e as informamos de coisas, fatos e ocorrências. Significativas ou não, somos portadores de emoções. Causaremos impactos profundos, se as notícias não forem nada boas, nada desejadas, nada aproveitadas. Propulsionaremos sorrisos largos e suspiros profundos, caso as informações sejam as mais belas possíveis, as mais saudáveis e as mais pretendidas já aguardadas. Um detalhe importante no desempenho desse ofício humano é a forma. De boa a má, a notícia sempre tem um formato. Procure empregar docilidade e dote-se de equanimidade nos comunicados. Isso porque os papéis de entregadores e receptores são bastante mutáveis. Um dia você é portador, noutro você é o receptor. E, geralmente, os conteúdos relevantes costumam ser quase os mesmos. Tenha mãos de veludo e voz grácil nessa arte da condução dos temas da vida na vida dos outros. Tão comuns a todos. Tão possíveis. Tão similares.”

(Adriana Araf)

Outonizar…

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“Era difícil dizer quando chegara ao certo o Inverno. Primeiro, ocorreu um arrefecimento das temperaturas noturnas. Depois, chegaram os dias de chuva ininterrupta, as rajadas desordenadas do vento atlântico, a umidade, o cair das folhas e a mudança das horas nos relógios. Continuavam a verificar-se, em todo caso, tréguas esporádicas, manhãs de céu limpo e luminoso, que permitiam que se saísse de casa sem agasalhos. Mas tratava-se de qualquer coisa como os sintomas enganadores da remissão de um paciente sentenciado à morte. O parque vizinho se transformou numa superfície desolada de lama e de água, iluminada apenas pelo clarão riscado da chuva nos postes públicos. Certa noite, quando o atravessava debaixo de um aguaceiro, veio-me à memória um dia de calor intenso do Verão anterior que, deitado no chão, tirara os sapatos e acariciara a relva com os pés descalços, enquanto o contato direto com a terra me trazia uma impressão de liberdade, fazendo-me sentir tão em casa no mundo como se estivesse em meu quarto.”

(Alain de Botton, A Arte de Viajar, 6ª. edição)

Ana Be’Koach

 

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Homocromia

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“Perdemos a capacidade de enxergar os detalhes. Isso é fato. Enxergamos com pressa extrema os fatos, os movimentos nas ruas, os clamores. O nosso olhar não mais sente o perfume das coisas. A singularidade delas. Perdemos a capacidade de acreditar. Precisamos de papéis, reconhecimentos de firmas. Tudo tem que ser em dinheiro, até o que não se compra. Precisamos de checagens. Perdemos a capacidade de simplesmente conviver com o outro, com o outrem, com o próximo. Estamos fartos da convivência familiar que requer paciência, da missão da divisão e da resiliência ambiental. Fraquejamos na simples arte de escutar. Estamos pobres no exercício do amor ampliado. Estamos esgotados de frustrações, do não realizado. Estamos vivendo açoitados numa sociedade fustigada e vencidos por tantas informações sem conteúdo e direção. Encontramo-nos vazios, transferindo para a vida as culpas de como a levamos. Estamos julgando rápido demais. Sem identidade, adotamos um mimetismo permanente. Estamos rasos em nossas profundidades.”

(Adriana Araf)


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