Mãe…

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(…) Na ponta da língua, guardam respostas como se soubessem o segredo da vida. E sabem. Esperam-nos, com o peito em alvoroço. Escondem as lágrimas e acendem a força quando o caminho se faz longe e escuro, sendo farol dos sonhos. Feitas de ferro e de fogo, de delicadeza e originalidade, de açúcar e de mel, as mães inventaram os verbos amar e dedicar, dando-nos coragem para andar. Para o filho saudoso será sempre eterna.

(da leitura de um folder, Livraria Bertrand)

Ps. Sobre o grande papel de uma mãe grandiosa https://bebemamae.com/mamae/mae-da-melhor-resposta-apos-foto-da-filha-ser-usada-pra-promover-aborto

Orfandade

 

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“Não há idade para sermos órfãos, mas há tempo esticado para vivermos esse estado de faltas, de ausências.

Ontem foi sol, hoje chuva. Mas não há mais o calor.

A orfandade é dor permanente e indiscutível. Olha-se dos lados e o que se via, ora escapou. É um estado empobrecido de alma preenchida agora por ações soltas. É sal grosso nas feridas finas que nunca fecharão.

O silêncio ocupa tudo por nos faltar o que dizer. O olhar cai dos olhos, a força sai dos braços e o coração adormece.

Finge-se superação quando, na melhor das hipóteses, o que se faz é curvar-se obrigatoriamente diante da vida como único movimento.

Perde-se o futuro.”

(Adriana Araf)

Tu és livre, criatura!

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Escreve aí: “Eu sou livre!”.

Só para lembrar. Tu bem sabes, mas não custa repetir.

Amar não é ter posse sobre ninguém. Quando te sentires escravizar, manda às favas! Assim, simples, direto e com toda a força. Fecha teus olhos, respira fundo e manda embora todo aquele, aquela e aquilo que te faz mal. Não carece verbalizar, repetir, soletrar em voz alta, gritar e essas coisas tão deliciosas. Diga a ti mesmo, esculhamba o opressor aí dentro primeiro. Aperta o botão vermelho, dá de ombros, dá as costas e vai em frente para longe dessa lama.

Por que carregar esse peso, hein? Para onde? Vai valer de quê?

A vida é uma viagem e a mala dos outros não te cabe. Despacha. Expulsa. Demite.

Tu és livre, criatura!

A maior concentração de idiotas por metro quadrado do mundo está aí mesmo, ao teu redor. Repara. Observa.

Tem sempre um cretino por perto, cada vez mais próximo, exalando sua incrível capacidade de invadir o espaço alheio e um hálito estranho a tuas entranhas.

Se vacilas, descuida, cochila e permite sem querer uma só aproximação, logo ele terá cravado os caninos em teu pescoço. Estará pendurado em ti, no pleno e livre exercício de seu parasitismo.

Rejeita. Escapa da areia movediça das relações doentias.

Percebe o quanto tu, criatura divina que um dia foi amada com honestidade sob a forma de um bebê inocente, frágil, corre agora o risco de ter a vitalidade sugada por um espírito miserável, patológico e paranoico, povoado de expectativas unilaterais.

Não te obrigues a agradar quem quer que seja antes de te contentares.

Não te encantes com ninguém antes que um amor louco por ti mesmo fortaleça tua alma e dê sentido a cada santo dia.

Acredita. Tu haverás de amar honestamente só aqueles que mereçam o privilégio.

Teus amigos, tua família, tua gente e olhe lá.

Esses estarão contentes com o quinhão de amor e dedicação que tu lhes der, seja qual for o tamanho disso.

Ao resto, tu deves nada, nada! Quanto àqueles que não entenderem, que se danem! Danem-se com todas as letras e ferros.

Porque a nós nada está garantido mesmo senão a danação absoluta. E se te permitires afagar o ego de outro antes de mais nada, está escrito que também irás te danar mais cedo!

Manda longe aqueles que te “amam” sob a condição de que faças exatamente o que de ti esperam.

Porque se ousares fazer diferente, se te atreveres a seguir tua própria vontade, sem nada conceder ao capricho alheio, rapidamente te odiarão com a mesma fúria com que hoje te adoram.

Desiste. Desiste de agradar a todo mundo. Afaga antes a ti mesmo e, se Deus quiser, o mundo todo será teu.

Então poderás escolher o que queiras dele e a ele devolver o que puderes. Cuidado com quem te cobra coerência, perfeição e generosidade. Atenção a quem te julga egoísta por valorizares a vida que te foi dada. Geralmente, é um cínico despejando em ti os defeitos que não suporta saber em si mesmo.

Olho vivo na turma do olho gordo, tão boazinha e viciada em sentir pena dos outros para disfarçar e esquecer sua própria miséria.

Evita, evita descaradamente os santinhos e sanguessugas dissimulados, entregues a sua corrida de lesmas.

Tu não precisas provar nada a ninguém, não deves nada além das contas que pagas a tão duras penas, nada senão respeito a toda e qualquer criatura honesta que viva sua própria vida e não atrapalhe a dos outros.

Corre. Corre o mais rápido que puderes das malditas expectativas, das suas e as alheias.

Expectativas são bichos não domesticáveis, aranhas peludas de mil pernas, escravizando suas vítimas em teias de preconceito para devorá-las no mingau gelado da frustração. Melhor é criar filhos, cachorros, gatos e lembranças.

E sobretudo perdoa. Aprende a perdoar quem te ataca em tua mais óbvia fraqueza: tu és nada além de um ser humano cheio de falhas que ora carece de companhia, ora anseia por solidão. Mas não te esquece: perdoa, sai de perto e segue em frente. Porque o perdão é a tua liberdade com outro nome.

Reconhece então tua fraqueza e cai no sono sem culpa. Quando acordares, serás ainda a mesma criatura imperfeita de sempre, mas terás mais força que nunca para seguir correndo.

Em frente, atrás, de lado, não importa. Só o que ainda vale de tudo isso é o puro e simples movimento, já que um dia vais parar não por vontade própria, mas por decisão superior.

Dispensa o peso.

Manda embora.

Liberta-te. Levanta e voa!

(André J. Gomes)

O que perdemos

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Do livro “O que perdemos”, de Zinzi Clemmons, página 112:

“A minha mãe está morta. Mas ainda a vejo. Mas ainda a sinto. Ainda consigo ouvir-lhe a voz até nesse preciso momento em que vos falo. Mas ela está morta. Quando olho para fotografias dela na praia, consigo sentir o sol sobre sua pele. Consigo ouvir como me falava. Mas ela partiu. Consigo sonhá-la e ouvir-lhe o choro. Conta-me o que aconteceu naquele dia e chora comigo. Pede que eu não tenha medo. Mas está morta. Uma parte dela permanece viva em mim. Mas ela partiu. Viverá eternamente no Céu. Mas não está mais na terra. Partes dela continuarão nas árvores, nos riachos e nos pássaros de amanhã. Ela é a água, as plantas e poeiras que vejo rodopiar nas colunas de luz. Se olhar demoradamente uma flor, consigo ver o rosto dela. Mas ela não está aqui”.

 

Uma passagem

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(…) a cena era limpa. O mar, algumas ondas, dois barcos e um vento fresco. Sem impedimentos, o ar chegava e saia de meus pulmões por meio de movimentos leves. Minhas roupas não me incomodavam com os sopros marítimos. Calma, me encontrava ali, naquela ponta de praia, esvaziada de dores e ocupada por uma sensação maravilhosa de bem-estar. Os assobios ecoavam fininho e havia um lençol cinza sobre o céu que, tão longo evoluíam-se as horas, era substituído sem consulta por um amarelo solar avisando delicadamente a partida do dia. Que cena! Eu inteira depois de muito tempo despedaçada (…)

(Adriana Araf)


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